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sexta-feira, 3 de abril de 2009

VEREDITO FINAL


Saiu hoje a sentença do chamado "Caso do Envelope" no qual Pinto da Costa era acusado de comprar o árbitro Augusto Duarte para o jogo Beira-Mar vs Porto de 2003/2004. Enquanto que, no processo disciplinar da Liga foi condenado, apenas com as escutas (inconstitucionais neste tipo de processos), no Tribunal Judicial da Comarca de Gondomar foi ABSOLVIDO, tendo sido ouvidas as testemunhas todas e produzida todo o tipo de prova. Ou seja, esta decisão é fundamentada e legal, contrariamente à decisão tomada pelo CD da Liga e mantida pelo Conselho de "Justiça" da FPF.

E esta, hein?

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Acordão do Tribunal Arbitral de Desporto (TAS)


Depois de páginas e mais páginas dos jornais a tentar passar a imagem de corrupção no Futebol Clube de Porto, eis alguns factos interessantes:
- O F.C. do Porto foi acusado diversas vezes nos Tribunais Criminais portugueses de condutas criminais, mas até ao presente, todas caíram por terra, sem seque haver a necessidade de ir a julgamento. Isto diz muito sobre a credibilidade das acusações.
- No ano a que se referem os alegados actos de corrupção, o Futebol Clube do Porto sagrou-se campeão nacional e venceu categoricamente a Liga dos Campeões (a competição onde apenas jogam as melhores equipas da Europa). Além disto, os jornais desportivos da altura (incluindo os jornais tendenciosos a benfica e Sporting) relatam que o F.C. do Porto foi prejudicado nos jogos a que se referem as acusações mencionadas.
- As únicas condenações existentes contra o F.C. Porto são as das instâncias da Liga e da Federação, que contrariaram os Tribunais Judiciais e se basearam em provas descredibilizadas pelos Tribunais. Já agora, urge referir a famosa reunião do Conselho de "Justiça", onde só faltaram os leões domados e os trapezistas para se poder chamar um Circo!
- O Tribunal Arbitral de Desporto conclui que os orgãos disciplinares da Liga e FPF condenaram o F.C. Porto sem que para tal tivessem provas da existencia de factos ilícitos!
Depois disto tudo, só por má fé ou cegueira, é que se pode afirmar que a corrupção anda para os lados do Dragão! Só mesmo a Teoria da Conspiração é que poderá fazer algumas pessoas afirmarem que o F.C. Porto corrompe árbitros, nacionais e internacionais, e juízes, nacionais e internacionais! Acho que perante o cenário existente, é necessário reformular a "justiça" desportiva. Sou e serei sempre a favor de um Tribunal Desportivo para este tipo de situações, com magistrados a sério, para que, desta forma, as sentenças sejam dadas com rigor e baseado em provas concretas e credíveis.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Eu não esqueço...

Se há coisa que detesto são os falsos moralistas. E como a minha memória ainda não anda assim tão má, reproduzo aqui uma notícia bastante interessante que foi publicada no jornal online de "O Público" em 8 de Setembro de 2006. Curiosamente, os factos relatados não foram desmentidos pelo Luís Filipe Vieira (aka Orelhas), mas depressa foram "esquecidos" pela comunicação social. E não é que o "salvador" do futebol, afinal andava a escolher os árbitros que mais lhe convinham? Mais curioso é ainda a conversa entre Pinto de Sousa e Valentim Loureiro, na qual Valentim diz, ao falar de árbitros, que "ao Porto qualquer um serve". Aconselho vivamente a ler esta notícia toda e vou inclusivé sublinhar as partes mais interessantes. E ainda há mais escutas públicas feitas pelo José Veiga, enquanto dirigente do Benfica, que oportunamente as colocarei aqui, para que não caiam no esquecimento.
Então, para reavivar as memórias, cá vai:

"Turbulência no futebol
Apito Dourado: escutas apanharam Luís Filipe Vieira a escolher árbitros para o Benfica

08.09.2006 - 08h48

As escutas do processo Apito Dourado revelam que Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, se envolveu directamente na escolha do árbitro do jogo das meias-finais da Taça de Portugal da época de 2003/2004 em que o Benfica ganhou ao Belenenses por 3-1. Esse jogo foi arbitrado por João Ferreira, de Setúbal, na sequência da nomeação acertada num telefonema entre Valentim Loureiro e o presidente dos encarnados. Nessa conversa, Luís Filipe Vieira começa por se queixar pelo facto de o árbitro nomeado para o jogo já não ser Paulo Paraty, conforme havia sido anunciado por Pinto de Sousa, à data presidente do Conselho de Arbitragem da Federação, a um advogado com ligações ao Benfica.
A discussão foi acesa, com Valentim a esforçar-se por apaziguar os ânimos do dirigente e sugerir-lhe nomes de árbitros para substituir Paraty. Vieira, que diz não ter "preferência" por "ninguém", acaba por recusar o nome de quatro internacionais - "não me dá garantias", disse de alguns deles. A solução acabou por ser João Ferreira, o árbitro que amanhã estará no arranque do campeonato para os da Luz, quando defrontarem o Boavista no Bessa (ver texto na página seguinte).
As escutas telefónicas estão apensas ao processo principal do Apito Dourado, mas Cunha Vaz, responsável pelo gabinete de imprensa do Benfica, negou a sua existência. "O sr. Luís Filipe Vieira nunca falou com Valentim Loureiro por causa dos árbitros da Taça. Isso é mentira, até porque quem os nomeava era a Federação. O Benfica nunca escolheu qualquer árbitro", assegurou. Valentim Loureiro, por sua vez, não se disponibilizou para prestar qualquer esclarecimento.
Vieira irritado ao telefone
15 de Março de 2004. Paulo Paraty tinha arbitrado o jogo do Belenenses-Nacional para o campeonato. Por esse motivo, não podia ser indicado para o jogo da Taça, que ocorreria dois dias depois, obrigando Pinto de Sousa, que, à data, liderava o Conselho de Arbitragem, a procurar outra opção. Pinto de Sousa tentaria contactar Vieira para justificar a mudança, mas o dirigente benfiquista deixou de lhe atender o telefone, o que acabaria por levar Valentim Loureiro a envolver-se num jogo que estava fora da alçada da Liga.
"Disseram-me que era o Paulo Paraty o árbitro... Agora dizem-me à última hora, vêm-me dizer que já não pode ser o Paulo Paraty por causa do Belenenses", lamentava-se Vieira a Valentim, enquanto respondia às sugestões dadas por este. "Não quero Lucílio nenhum! (...) O António Costa?! F... Isso é tudo Porto! (...) O Duarte, nada, zero! (...) O Proença também não quero!".
Só o nome de João Ferreira agradou ao presidente do clube da Luz. "O João pode ser", disse, depois de conhecer os candidatos possíveis. A lista era reduzida, porque Pinto de Sousa considerava que o jogo tinha de ser apitado por um árbitro internacional e havia-o dito a Vieira e a Valentim Loureiro.
Nesta conversa com o presidente da Liga, Luís Filipe Vieira estava visivelmente irritado. E confessou a Valentim Loureiro que tinha sido informado de que o árbitro seria Paulo Paraty duas ou três semanas antes. O nome agradava-lhe e a sua substituição foi atribuída a uma manobra do FC Porto, cujo presidente, Pinto da Costa, "controlava tudo", na opinião de Luís Filipe Vieira. No entendimento do dirigente benfiquista, Pinto da Costa decidira até que quem arbitraria o Braga-Porto, também para as meias-finais da Taça, seria Bruno Paixão. "O Bruno Paixão, em Gil Vicente, eu estendi-lhe a mão para o cumprimentar, não me cumprimentou! Como é que esse gajo [Pinto de Sousa] vai nomear esse gajo para apitar?", perguntava Luís Filipe Vieira, não escondendo a indignação e deixando clara a ameaça: "Eu não sou como o Dias da Cunha. (...) Eu vou [à RTP] fazer alguns alertas para o futebol português".
Pinto de Sousa explica-se
Minutos depois, um novo telefonema de Valentim Loureiro a Pinto de Sousa é revelador. O segundo desculpa-se ao presidente da Liga por não ter indicado Paulo Paraty. Este árbitro havia sido sorteado para o jogo da Liga, também com o Belennenses, o que o levou a aceitar a indicação de Vieira e nomear João Ferreira para a Taça.
Ainda na mesma conversa, Pinto de Sousa conta a Valentim que a promessa de que Paulo Paraty seria o escolhido tinha sido feita inicialmente a João Rodrigues (um advogado com ligação ao Benfica), duas ou três semanas antes. Mas assegurou que a nomeação para o campeonato acontecera apenas porque se tinha esquecido de avisar Luís Guilherme, o responsável pela gestão da arbitragem para os jogos da Liga.
Sobre a possibilidade levantada por Luís Filipe Vieira de que o Porto teria escolhido o árbitro para a sua própria meia-final, Pinto de Sousa desmentiu-o. E explicou: "Foi um pedido do Salvador (presidente do Braga). Não indicar nem o Olegário, nem o António Costa".

Partes das escutas telefónicas onde é interveniente Luís Filipe Vieira. Os seus interlocutores são Valentim Loureiro e Pinto de Sousa
Luís Filipe Vieira (LFV) - Eu não quero entrar mais em esquemas nem falar muito... (...)
Valentim Loureiro (VL) - Eu penso que ou o Lucílio... o António Costa, esse Costa não lhe dá... não lhe dá nenhuma garantia?
LFV - A mim?! F.., o António Costa? F... Isso é tudo Porto!
VL - Exacto, pronto! (...) E o Lucílio?
LFV - Não, não me dá garantia nenhuma o Lucílio!
VL - E o Duarte?
LFV - Nada, zero! Ninguém me dá!... Ouça lá, eu, neste momento, é tudo para nos roubar! Ó pá, mas é evidente! Mas isso é demasiado evidente, carago! Ó major, eu não quero nem me tenho chateado com isto, porque eu estou a fazer isto por outro lado. (...)
VL - Talvez o Lucílio, pá!
LFV - Não, não quero Lucílio nenhum! (...)
VL - E o Proença?
LFV - O Proença também não quero! Ouça, é tudo para nos f...!
VL - E o João Ferreira?
LFV - O João... Pode vir o João. Agora o que eu queria... (...) Disseram que era o Paulo Paraty o árbitro... O Paulo Paraty! Agora, dizem-me a mim, que não tenho preferência de ninguém (...) à última hora, vêm-me dizer que já não pode ser o Paulo Paraty, por causa do Belenenses.
Pinto de Sousa - A única coisa que eu tinha dito ao João Rodrigues é o seguinte... É pá, há quinze [dias] ou três semanas, ele perguntou-me: "Quem é que você está a pensar para a Taça?"... Eu disse: "Estou a pensar no Paraty"...
VL - Bem, o gajo está f... (...) O Paraty então não consegues, não é?
PS - O Paraty não pode ser. (...) Até para os árbitros restantes, diziam assim: "É pá, que diabo, este gajo tem tantos internacionais e não tem mais nenhum livre, pá?!". (...)
VL - Eu nem dá para falar muito ao telefone, que ele começa para lá a desancar. (...) Mas qual é o gajo que o Porto não quer?! O Porto quere-os todos, pá! Qualquer um lhe serve!
PS - É... Por acaso é verdade...
VL - O Porto quer lá saber disso!
PS - Se é o Lucílio... Se fosse o Lucílio, era o Lucílio, se fosse o António Costa, era o António Costa...
VL - Ao Porto qualquer um serve! "

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Liga dos "Campeões"


Se já entendia que, desde a passagem da Taça dos Campeões Europeus para a Liga dos Campeões, o nome não fazia grande sentido, agora muito menos. Já não são os campeões que se encontram representados na competição. A confirmar-se a ridícula decisão da UEFA, Portugal vai ter 3 representantes na Liga dos Campeões, sendo que nenhum ficou a menos de 20 pontos do título de Campeão.

Quanto a toda a palhaçada que envolve toda a história do Apito Dourado/Apito Final, já nem vale a pena tecer mais comentários. Nada tem lógica, nada faz sentido, é tudo uma embrulhada que faz lembrar um país do terceiro mundo. Espero pela resolução deste caso, mas sem esperança na reposição da verdade e justiça. Afinal de contas, há 6 milhões de interessados em que tal não aconteça.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

E viva Portugal!


Finalmente, este ano houve uma vitória de 6 milhões para portugueses. Sim, na verdade, o mafioso mor e inimigo número um em Portugal, foram finalmente acusados e condenados de alguma coisa. Isso mesmo, Pinto da Costa e o F. C. Porto foram condenados pela prática de corrupção desportiva na forma tentada. Menos bom, para os 6 milhões de portugueses, é que o F. C. Porto não vai recorrer da decisão e vai perder seis pontos esta época, quando não lhe fazem falta absolutamente nenhuma. Não porque achassem que o F.C. Porto tinha motivo para recorrer (6 milhões de juízes o condenaram há muito, sem apelo nem agravo), mas porque isso não traz qualquer vantagem ao "Glorioso", que ainda assim ficou à distancia de 17 pontos do F.C. Porto.

Assim vai o nosso país. Antes de começar a dar a minha singela opinião sobre o "Apito Final", deixo um ponto prévio: não sei se o F.C. Porto é ou não culpado. Nem sequer a Justiça portuguesa decidiu ainda e é esta a decisão que acreditarei mais, sem no entanto pôr as mãos no fogo. Nestas situações, a pressão de haver sangue é tanta que as decisões acabam por ser condenatórias, bastando apenas que haja dúvidas quanto à inocência. Basicamente, em oposição aos mais basilares preceitos da Constituição da República Portuguesa.

Euacho todo o processo do denominado "apito dourado" persecutório e cheio de contrariedades. Todo este processo se baseia em escutas telefónicas. De um momento para o outro, surgem nos jornais as transcrições das mesmas. O Pinto da Costa fala de fruta, referindo-se a prostitutas para árbitros, solicitadas por estes a António Araújo. O Vieira (a.k.a. Orelhas) pede a Valentim Loureiro que seja nomeado o árbitro Paulo Paraty para um jogo do Benfica. O Veiga pede favores ilícitos ao mesmo Loureiro. Conclusão, arquivam-se os dois últimos processos e segue-se em frente contra o Pinto da Costa.

Depois disto, os processos contra o Porto são todos arquivados pelo MP, uma vez que se chega à conclusão que nos jogos, em que supostamente comprou favores de árbitros, o F.C. Porto foi mais prejudicado que beneficiado. Insatisfeita, a "agora Ilustre" Dona Carolina escreve um livro brejeiro nos quais relata as acusações que se liam nos jornais todos os dias, por encomenda daquele a quem outrora chamara Orelhas. A autora (a Dona Carolina tem outros dotes... e pôs outra a escrever) queixa-se de o livro ter sofrido imensas alterações não autorizadas antes de ser publicado. Perante este livro, o Procurador Geral da República constitui uma equipa de "Super Procuradores" para reabrir os processos, com base no livro de tão credível pessoa (quem disse que as "dançarinas exóticas" não são credíveis??).

Curioso é que, numa brilhante conclusão processual pelo MP, a dita Carolina que vem dizer que contratou capangas para bater no senhor Bexiga, porque o Pinto da Costa assim o quis, viu o processo contra ela arquivado, sem no entanto deixar de prosseguir contra o Pinto da Costa. De facto, é brilhante: Carolina não tem credibilidade quando diz que comete um crime, mas tem-na quando acusa alguém de também o fazer. Estes processos estão todos ainda por resolver...

No entanto, existe a Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, que por serem superiores a qualquer Tribunal, conseguem acusar e condenar Pinto da Costa e o F.C. do Porto. E nem precisam de ouvir testemunhas ou procurar meios de prova! Vão simplesmente buscar processos a meio para basearem toda a acusação. Mais fácil, económico e nem dá hipotese de os acusados se defenderem convenientemente: certamente, uma "win/win situation"!

Melhor ainda, permitem apenas um prazo de 3 dias (sejam úteis ou não) e (cereja no topo) dão a sua "sentença" numa sexta-feira ao final da tarde, aproveitando assim para permitir aos advogados terem o fim-de-semana para elaborar o recurso, pois o prazo do mesmo terminarava na segunda seguinte! O prazo é longo e o fim-de-semana dá perfeitamente para recorrer de uma decisão, que vem sendo preparada desde o início da época, i.e., desde Setembro do ano passado.

O mais giro para mim no meio de isto tudo é que os clubes são julgados pelos mesmos actos em duas instâncias diferentes: os Tribunais Judiciais e os órgãos de disciplina da Liga. Estes últimos condenam independentemente da decisão de um Tribunal. Ainda por cima, as decisões vão ter consequências muito nefastas para os clubes. Imaginem agora que acontece se o Tribunal considera o Pinto da Costa e o F.C. Porto inocente. A resposta: nada. Mantém-se o castigo por ter feito (segundo a LPFP) algo que não fez (segundo os Tribunais). Se isto é legal, então a Lei está muito mal feita. Apenas deveria ser possível condenar desportivamente depois de ter uma sentença transitada em julgado nos Tribunais Judiciais. Mas tal, parece não ser a realidade de Portugal.

Quanto à postura do F.C. Porto que preferiu não recorrer, para evitar prejuízos no futuro com nova decisão desfavorável, compreendo mas discordo. Racionalmente sei que é a decisão mais acertada, mas é levar um estalo e oferecer a outra face. Não posso aceitar que o F.C. Porto não faça tudo ao alcance para limpar a sua imagem.